quinta-feira, 20 de abril de 2017

O fim das contas digitais: Corra para o banco Intermedium!

-Você já tem uma conta no banco Intermedium?
-Você gasta tudo que ganha, e não sobra nada no final do mês?

Se a resposta é não para as duas perguntas, é hora de você abrir sua conta no Intermedium - enquanto é tempo. Por que? Vou dar a resposta curta, e a resposta longa. Você pode escolher qual das duas vai ler:

Resposta curta: Porque tudo lá é grátis e os investimentos deles rendem super bem!

Resposta longa: Bem... se você quer a resposta longa... então senta que lá vem a história. Em 2010 o
Banco Central emitiu uma resolução, dando aos bancos a opção (veja bem, não é obrigatoriedade) de criar um tipo de conta-corrente totalmente livre de papéis e contatos humanos. O banco central chamou isso de "Conta Digital". Veja que estamos falando de 7 anos atrás. Naquela época mal existiam celulares que seriam chamados de "smartphones". O iphone ainda estava em sua segunda versão, o número de aplicativos era muito limitado. A maioria dos estabelecimentos ainda não tinha a tal maquinha de "débito"; as lojas pequenas (como mercearias e muitos postos de gasolina) nem sequer aceitavam pagamento com cartão. |Era muito comum o uso de cheques, e grande parte dos procedimentos bancários tinham ser ser feitos na boca do caixa.

Pra você ter uma idéia de como era o mundo em 2007, a primeira temporada de Walking Dead só seria lançada em 2010, três anos depois.  Não existia nem sequer Netflix, e para assistir filmes tínhamos que apelar para os DVDs.  Naquele ano, a bolsa de valores estava em clima de euforia; as ações da Petrobrás valiam quase 40 reais! Nem sequer imaginávamos que haveria uma crise mundial em 2008. Faz tempo, né?
Pois é.

A questão é que ao lançar a chamada conta digital, a idéia do Banco Central foi criar um produto simplificado, voltado para o público de baixa renda, que deixaria de usar grande parte dos serviços do banco, de forma que fosse muito barata a manutenção para a instituição, atraindo o cliente para outros produtos, como investimentos em fundos DI com taxa de administração de 3%. Essa chamada "conta digital", portanto, seria livre de todo tipo de tarifas, para beneficiar os pobres. Mas.... o mundo mudou.

Quase 10 anos depois, percebemos que a idéia do Banco Central não saiu como eles imaginavam. Os pobres continuam sendo os que mais pagam tarifas no sistema bancário. Mesmo que a pessoa ganhe um salario mínimo mensal, o banco empurra um pacote (porcaria) com meia dúzia de bugigangas e cobra do coitado R$ 15 por mês. E na mão de quem estão as contas digitais? Nas mãos dos ricos, dos descolados, da "elite" de investidores, yuppies, que usam essa conta para fazer TED ilimitado para sua corretora; tornou-se um produto para os poucos "privilegiados" frequentadores de blogs e fóruns de finanças, que tinham "peito" pra enfrentar o banco quando o gerente insistia em dizer que a tal conta "não existe". Os bancos, quando notaram o que estavam oferecendo um serviço grátis para quem podia pagar, trataram de esconder - até dos próprios funcionários - a existência das contas digitais. Quem navega nos blogs e fóruns já deve ter lido as batalhas homéricas que acontecem nos bancos, em que o gerente, que sabe nada, inocente tenta convencer ao cliente de que ele está louco, e não existe a tal conta.

A questão é... hoje em dia, ninguem mais quer ir ao banco, e de uma forma ou de outra 99% das coisas são feitas pela internet. Continuar oferecendo uma "conta digital" grátis iria zerar o lucro dos bancos com tarifas... o que seria suicídio empresarial. O lucro dos bancos teria que vir de taxa de administração de fundos do próprio banco, ou de juros dos empréstimos pessoais... Mas cá entre nós, quem tem uma conta digital não investe no banco grande, e nem faz empréstimo, né?

Assim, um por um os bancos foram acabando com as contas digitais. Primeiro Banco do Brasil... depois Bradesco.... e agora, por último, o Itaú, que definiu que a partir de Maio/17 não teria mais contas digitais grátis.

O que sobrou então? Apenas um: o banco Intermedium. Lá você consegue uma conta digital com todo tipo de movimentação grátis - realmente livre de tarifas. De quebra, eles ainda oferecem investimentos com taxas ótimas em LCI e CDB.

A má notícia? É que o banco Intermedium tem batido recordes de captação de recursos e clientes.... já mal tem lastro para as LCIs... está pegando porte de banco grande, o que significa que... em breve e aos poucos deve começar a cobrar tarifas dos correntistas.

Se formos seguir o que aconteceu nos demais bancos, quem tinha pacote digital antigo, não perde. Portanto... não perca tempo. Abra agora mesmo, antes que seja tarde, sua conta no Intermedium. Senão depois não diga que eu não avisei!!







quarta-feira, 19 de abril de 2017

Um ano investindo.... reflexões



Quando eu era criança, adorava assistir no dia 31 de dezembro a "retrospectiva" que a rede Globo fazia. Mostrava tudo de importante que aconteceu naquele ano, como a morte de Airton Senna, o naufrágio do Bateau Mouche, a passagem do cometa Halley, a morte do Tancredo, e tudo aquilo que foi notícia. Hoje os tempos são outros, e nem sequer televisão vejo mais. Agora meus contatos com a televisão se resumem a assistir filmes velhos e temporadas antigas no Netflix. Nem sei mais o que acontece na Globo. Quando eu era menina, fazia coisas de menina... mas eu cresci, e essas coisas ficaram para trás. De qualquer forma, "um ano" é tempo suficiente pra gente avaliar qualquer coisa que tenha começado a fazer. Um ano de academia? Um ano de dieta? Um ano de faculdade? Um ano investindo? Um ano de blog? É um marco.

Dizem que a gente superestima o que pode fazer em um ano, e subestima o que pode fazer em cinco. Mas tudo que eu tenho é esse ano, então lá vamos nós para algumas reflexões. Talvez eu misture reflexões financeiras com pessoais mas... essa sou eu, né?

Comecei a investir no começo de 2016, após uma crise de identidade muito forte que tive ao final de 2015... quis me tornar uma nova pessoa, e essa nova pessoa tinha entre outras características vida frugal e uma permanente busca pelo primeiro milhão, através de trabalho duro, privações e investimentos.Vou tentar manter o foco na parte de investimentos - entre tantas outras mais importantes - já que este é um blog sobre a gatinha investidora, e não sobre outras nuances - mais importantes - dessa gatinha que vos fala.

Comecei a investir em janeiro de 2016, mas não tenho registro de valores... pois naquela época meus investimentos consistiam em um fundo DI do Banco do Brasil.... não fazia planilhas ou controles de nada, e minha única referência era o saldo total que aparecia no extrato do fundo. Eu não fazia a menor idéia de como funcionavam coisas como tributação escalonada da renda fixa, e nem sequer sabia que existia vida inteligente além dos bancos grandes. Mas comecei a estudar, inspirada pelo audiobook "Investimentos Inteligentes", do Gustavo Cerbasi. Sei que parece pueril aprender com o Gustavo Cerbasi, mas naquela época aquele conhecimento que ele me passou foi simplesmente fantástico, abriu os olhos de uma leiga para todo um (admirável) mundo novo. Naquele audiobook ele me explicou como funcionava o sistema de tributação da renda fixa, me deu uma idéia sobre o funcionamento de ações, planos de previdência privada, explicou sobre os diferentes títulos do tesouro direto - que ainda tinham aqueles nomes esquisitos como "NTN-B", falou a diferença entre CDBs e LCIs... quer dizer, foi algo realmente bom. Para quem está começando agora no mundo dos investimentos, não posso deixar de recomendar esse livro do Gustavo Cerbasi, pois é realmente ótimo.

A partir daí, comecei a experimentar em outras vertentes: Tesouro Direto, e LCI do Banco do Brasil. Eu ainda pagava 0,5% de taxa de administração para usar o Tesouro Direto pelo banco, o que hoje vejo como um absurdo (já que corretoras como a EasyInvest fazem o mesmo serviço de graça), e a LCI do Banco do Brasil realmente rendia uma migalha (78% do CDI na época, se não me engano). Continuei assim até o mês de maio/2016... sempre estudando e aprendendo cada vez mais. Com meu salário de (quase) R$ 2000 mensais, após 4 meses (maio/16) atingi cerca de R$ 2600 em investimentos; uma economia de mais ou menos 25% do meu salário por mês.

Continuei estudando... fiz uma busca na internet sobre qual seria a corretora maior e mais segura para investir, o que me levou a abrir uma conta na XP investimentos. Baixei alguns aplicativos para celular, entre eles um chamado "tesouro direto", que tinha um grupos de discussões muito ativo... e nesse grupo encontrei a propaganda de um grupo de Whatsapp sobre investimentos, e nesse grupo aprendi muita coisa. É incrível o efeito de aprendizado que conseguimos em grupos de Whatsapp. Uma vez em contato com investidores mais experientes nesse grupo, minha curva de aprendizado foi exponencial. Descobri que a XP era uma das corretoras mais "careiras" de todas, pois tinha um foco em excelência no atendimento, sendo voltada para pessoas mais endinheiradas, e que no meu caso deveria usar uma corretora/banco mais "de pobre".  Meus conhecimentos avançavam.

A partir de maio/16 comecei a fazer um controle simplificado dos meus investimentos, o que me possibilitou a fazer um gráfico a partir daquela data. Ainda não tinha uma planilha sólida, pois só depois iria conhecer a famosa "Planilha do ADP", que uso até hoje.

 Assim, já faz 1 ano que faço um acompanhamento mais sério dos meus investimentos, contando a partir de maio/2016, e sobre esse ano é que vou continuar falando. Para fugir da "careira" XP, abri conta no banco Sofisa (análise do banco nesse post)... o qual uso até hoje. O banco Sofisa me colocou em uma nova categoria de investimentos: Alta rentabilidade com custos baixos. Passei a poder investir quantias a partir de 1 real, com rendimento de 100% do CDI... um rendimento gigantesco comparando com o que eu tinha no CDB do banco do Brasil (78% do CDI). Agora, apesar de pobre, eu já conseguia rendimentos de "gente grande". Eu continuei estudando, e a essa altura já tinha noção de que quem investe somente em banco grande não consegue rendimento real nenhum... apenas corre atrás da inflação, o que pra mim foi uma surpresa. Me tornei uma devoradora de conteúdos (grátis) de investimentos.

Passei a ler assiduamente todos os sites de investimentos - como o "ótimo" InfoMoney - que apesar de eu hoje ver como um portal de publicidade da XP, tem conhecimentos de nivel básico sem cobrar nada por isso. Aprendi muito por lá. Lá eu aprendi sobre o que eram Fundos  Imobiliários.... e decidi que queria brincar disso.

Estávamos já em Julho/2016, e meu patrimônio em investimentos estava em quase 2,5x o meu salário, ou seja, cerca de 5000 reais. Não sei se foi "sorte" ou o que, mas descobri depois que o ano de 2016 foi totalmente atípico em investimentos: TODO MUNDO ganhou muito dinheiro investindo. Ações subiram, tesouro direto estourou de render, fundos imobiliários subiram, debentures valorizaram, CDI estava altíssimo, XPOM subiu.... todo mundo ganhou muito! Quem perdeu dinheiro investindo em 2016 merece um chapéu de burro. Para mim, que estava começando, isso foi ótimo, pois nao importava aonde eu colocava meu dinheiro, ele parecia se multiplicar de uma forma estonteante. Vendi meus títulos do tesouro - com 30% de lucro - e comecei a comprar meus primeiros fundos imobiliários -  FIIs.

Por piores que tenham sido minhas escolhas em FIIs, por alguma razão que eu não entendia direito eles cresciam de forma absurda todo mês, com valores em torno de 2 a 4% ao mês. Eu já tinha obtido 30% de ganho no Tesouro Direto às custas da queda na taxa de juros (comprei a IPCA+8 e vendi a IPCA+6,5), e agora meus FIIs subiam um montão todo mês!

Continuei investindo firme todo dinheiro que tinha, e quanto mais eu investia mais eu me sentia motivada. Fui aumentando ao máximo meus aportes - até um ponto em que economizava na comida e nos cortes de cabelo - chegando a quase 50% dos meus ganhos mensais. Meu dinheiro continuava crescendo, e agora minha carteira estava composta metade de FIIs, e metade em LCI do banco Intermedium, que descobri renderem bem mais que o CDB do Sofisa. As taxas da LCI do Intermedium eram ótimas, coisa como IPCA + 6,6%, então zerei minha conta no Sofisa para ganhar a tão famosa "caneta" do intermedium". Aquela caneta para mim representou muito mais do que uma caneta... era um sinal de status, de poder.

Para quem tinha começado do zero menos de um ano antes, alguns meses depois eu bati a marca de R$ 10.000, ou 5x meu salário líquido. Tinha uma boa carteira em FIIs e LCI, e tinha uma caneta com meu nome em letras douradas.

Segui investindo. Começou o ano de 2017, e eu percebi que "a festa" dos investimentos começava a acabar. A euforia da Bovespa passou... as ações cairam, FIIs minguaram, os juros já começaram a abaixar.... Caruanã abaixou sua lendária taxa de 135% do CDI no RDB.... Minha carteira de FII teve uma redução significativa de valor. Tesouro direto com taxas abaixo de 5%. É hora de colocar a cabeça no lugar, pois agora para ganhar dinheiro vamos ter que suar a camisa.

Mas para mim, esse ano foi muito bom. Meu capital investido hoje é de 8x o meu salário líquido, ou R$ 16 mil. Com esse dinheiro consigo viver um ano e meio, se for preciso (lembre-se que eu só preciso de 50% do meu salário pra viver, o resto tem sido investido).

Quanto ao Blog, foi pra mim uma experiencia única. Conheci muita gente, fiz muitas amizades.... mas acabei me afastando por perceber que o ambiente é muito agressivo, muito competitivo... simplesmente nao consigo me sentir confortável com esse monte de brigas, xingamentos e coisas assim que senti  na blogosfera. Pra mim, não dá.... Quando comecei, me falaram que não havia meninas, e que as que chegavam saíam rápido. Hoje eu percebi por que isso acontece: o ambiente é agressivo e competitivo demais. Uma mulher não aguenta esse clima.... tem pressão psicológica demais. Assim, acabei me afastando do blog, o que não significa que não esteja viva, né?

Fica assim, meu relato de como foi investir por um ano. Sigo firme na minha meta de atingir a IF, que pelas minhas contas será atingida daqui a 10 anos, se conseguir manter o ritmo de economizar quase 50% da minha renda mensalmente. Quanto à minha carreira, fui classificada em um concurso público muito bom... mas ser classificada é bem diferente de ser chamada, então se eu "der sorte" posso ser chamada nos próximos 4 anos, que é a validade do concurso. Quem sabe, né?

Beijinhos!! E paz!


Você vive ou sobrevive?


Você vive ou sobrevive? Tenho notado ja faz um bom tempo o que eu chamo de "tédio crônico". Pessoas sem nenhum propósito de vida e com medo de se perguntarem por que fazem o que fazem. Gente que existe, sobrevive, mas não vive. O vazio existencial era um problema há mil anos e, sinceramente, não vejo como mudará nos próximos mil. Ele dá muita grana e problemas que dão muita grana dificilmente são resolvidos. Não que eu acredite que o dinheiro possa resolver isso... como já disse em outras postagens nao acredito que exista relação positiva entre dinheiro e felicidade. Corro atrás de economizar o meu, buscar o tal falado "primeiro milhão", mais por "falta de alternativas" do que outra coisa. Sei que é importante ter um propósito, e esse parece bom o suficiente. Buscar a IF  é dos jeitos que inventamos de conseguir algo além do feijão-com-arroz que nossa vida nos apresenta. Porém, nem sempre essas coisas realmente importam para algo além de preencher os nossos vazios existências. O problema não está nas coisas, mas sim na gente. As coisas são as coisas. É você quem as consome em excesso como se não houvesse amanhã. Faz assim porque quer. Viu o vídeo que recentemente foi publicado no Netflix, sobre vida minimalista? A indústria do vazio existencial não precisa fazer tanto esforço para te convencer, apenas sugerir.Está triste? Encha a cara! Está estressado? Coma alguma gordice! Não sabe o que fazer da vida? Abra um site de memes! Precisaríamos dessas coisas na quantidade em que são consumidas? Não! Os problemas de hoje vieram das soluções de ontem.
Por que eu não acredito que isso possa mudar? Natureza humana, simples assim. Não é por menos que os maiores índices de suicídio são dos países com as melhores condições de vida.Desde a época de Shakspeare a humanidade se pergunta se é melhor ser ou não ser...
E agora? O que fazer?
Se dinheiro nao traz felicidade... mas ao mesmo tempo a pobreza menos ainda... o que fazer? A vida não é um jogo em que conseguimos "fechar" após concluir certas tarefas. Não tem manual! Parece que o manual da vida foi perdido. Estamos vivendo mais anos devido aos avanços tecnológicos, mas não sabemos o que fazer com isso. Aquele jeito de viver dos nossos pais e avós não faz mais tanto sentido. "Se você tiver uma formação, terá um emprego", diziam antigamente. As coisas mudaram. Recentemente prestei uma prova para um concurso que tinha mais de 30 mil inscritos para meia duzia de vagas. Gente... isso é mais do que toda a população de minha cidade.  Como falam absurdos a geração que acredita em previdência privada, caderneta de poupança e título de capitalização. Como fazemos um plano de vida se não sabemos o que virá? Gosto de uma frase do Jeff Bezos, "foque naquilo que não mudará". Acredito que esse seja o jeito de se viver atualmente. O que não mudará? Você precisa ter um corpo e uma mente saudável, bons relacionamentos, essas coisas básicas. Sobre o resto, não bote tanta fé assim.
Resumindo:
Você vive para pagar contas (lebre) ou para acumular seu milhão (formiga)? Provavelmente está em um desses extremos. A maioria é assim. Mas, o que você pode fazer para mudar isso agora? Uma dica: pense o que preenche aquele seu vazio existencial sem detonar a sua saúde. A resposta está aí. Apenas você conseguirá responder. A resposta não é nem gastar tudo - live like there is no tomorrow - nem economizar cada centavo. A resposta é o equilíbrio, externo e interno.
Detesto não trazer uma solução, mas dessa vez não consigo fazer muito além de te deixar refletindo. Já cansei de apresentar trabalhos que mostram que dinheiro não traz felicidade, mas ainda assim continuo e continuo atrás de juntar mais e mais... sem efeito prático nenhum na minha vida. A vida que merece ser vivida só será vivida se você encontrar as suas próprias respostas. Faça enquanto não é tarde. Dizem que "tempo é mais importante que taxa". Mas taxa a gente consegue na financeira quebrada da esquina... tempo.... ish. Esse a gente não recupera nunca mais. 

*Fonte/inspiração: Texto originalmente publicado por Robson Cristian Pereira

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Independência financeira: Não tem nada a ver com juntar ou ganhar dinheiro.


Com a evolução da internet, existe tanta informação disponível hoje sobre dinheiro e investimentos; existem corretoras e bancos online, home brokers, e tudo está acessível para o cidadão comum. Todas aquelas opções que até pouco tempo eram restritas para especialistas. Lendo os blogs de finanças, parece que todo mundo é um expert no mercado de fundos imobiliários e finanças... Todo mundo fica falando na tal independência financeira, e contando quanto tempo falta para se libertarem.

Mas... será que o dinheiro realmente liberta? Ou será que o dinheiro na verdade é que aprisiona e acorrenta essas pessoas que acreditam que o dinheiro as libertará?

Veja bem... quando essas pessoas dizem que o dinheiro irá libertá-las, elas descrevem o vilão como uma vida medíocre, um trabalho insuportável, um chefe chato, uma vida de restrições e consequente infelicidade. Elas acreditam, assim, que a liberdade e a felicidade será finalmente alcançada quando conseguirem juntar uma grande quantidade de dinheiro - o mítico "milhão" e seus consequentes dividendos mensais.

Eu e você queremos ter a nossa independência financeira. Mas... realmente faz sentido ficar juntando dinheiro para isso? Durante muito tempo fiz essa pergunta para mim mesma, e a cada vez mais me convenço de que a independência financeira não se consegue juntando mais dinheiro. Me convenço mais e mais que juntar dinheiro nos torna escravos dele, e nunca nos libertará.

Você já deve ter visto uma daquelas propagandas ou até ter recebido e-mails da Empiricus, prometendo a você mundos e fundos, dizendo que se usar a estratégia inédita deles irá transformar 30 reais em 1 milhão... e que assim finalmente conseguirá sua independência financeira, não é?

Imagem ilustrativa
Você acha que o erro da propaganda deles é a óbvia impossibilidade de conseguir essa milagrosa multiplicação do dinheiro? Errado. O erro da propaganda, é vender a nós a idéia de que conseguir uma grande quantidade de dinheiro nos deixaria feliz.

Cada vez que recebo um desses e-mails da Empiricus eu penso comigo mesma:

 "-Independência financeira? bem... eu já tenho a independência financeira."

Mas a minha independência financeira não parece nada com o que as propagandas da Empíricus me tenta vender, e nem com o que leio nos manjados e repetitivos blogs da finansfera. Independência financeira parece ser uma palavrinha mágica de toda uma legião de sonhadores. Um objetivo quase divino de dezenas de milhares de pseudo investidores. Tanta gente tentando melhorar sua vida financeira, o que é bom. A gente deve, claro, melhorar nossa vida financeira, a gente deve buscar crescer financeiramente. Infelizmente, eu percebo que a maioria dos contadores de centavos tem uma perspectiva errada sobre o que isso significa, e seguem em um caminho que nunca vai levar a uma verdadeira independência financeira.

Embora seja um objetivo de tanta gente, e apesar de eu ter passado muitas e muitas horas dos últimos 12 meses estudando sobre formas de investir e multiplicar o dinheiro, eu não tenho tanta certeza assim do que significa essa tal independência financeira - como dá pra perceber lendo meu blog.

O que é a independência financeira? Uma ilusão? Ela pode realmente ser alcançada?

Após muita reflexão e introspecção, hoje eu entendo que sim, é possível atingir a independência financeira.

Mas para minha - e sua - surpresa, não tem nada a ver com ganhar ou acumular dinheiro. Atingir a independência financeira significa outra coisa. Explico.

Vou repetir, pois creio que isso seja importante: Atingir a independência financeira não tem nada a ver com o quanto dinheiro você acumulou ou ganha.  Portanto, se você busca sua IF juntando dinheiro, é hora de repensar sua estratégia de forma drástica.

Eu imagino que você deva estar pensando: "-Michelle, você tá louca! Como pode dizer isso num blog de investimentos??". Mas é isso mesmo. A sua independência financeira não vem do seu exterior ou da quantidade de zeros de sua carteira, ela vem do seu interior, vem dos seus pensamentos, vem de dentro de você.  É por isso que você vai encontrar algumas pessoas extremamente felizes e satisfeitas, mesmo sem ter dinheiro algum (como por exemplo as tias da cantina ou zeladoras da escola), e também vai encontrar médicos e advogados de sucesso totalmente infelizes com sua relação com o dinheiro e a vida. 

Você conhece alguém que está satisfeito com sua vida mesmo sem ganhar muito dinheiro? Essas pessoas dizem que tem um bom emprego, uma boa família, que tem suas coisinhas e vivem bem com elas. Elas parecem estar em paz consigo mesmas. Todos nós conhecemos alguém assim. Talvez não sejam muitas pessoas, mas todo mundo conhece alguém assim. Estas pessoas atingiram a verdadeira independência financeira.

Você conhece alguém que só reclama da vida e se lamenta, e ganha mais que você? Talvez você mesmo seja assim? Gente que está acorrentado por sua relação com o dinheiro, tem dívidas, prestações, preocupações... a liberdade passa longe.

O fato é que existem pessoas que não tem nada e estão felizes; existem pessoas que tem muito e são infelizes. Portanto, o primeiro passo pra atingirmos a independência financeira é entender que se trata  mais de um ponto de vista em relação ao dinheiro, do que da quantidade de dinheiro que você tem

Se você quer atingir a independência financeira, precisa entender que ela se trata de uma postura, uma visão, uma interpretação do que é o dinheiro, e não do dinheiro em si.

Creio que essa primeira idéia já deixei bem clara. Então vamos à segunda pergunta: 
"- Se independência financeira não tem a ver com ganhar ou acumular dinheiro, quais são as atitudes que nos trazem a IF?"

Veja algumas idéias do que é a verdadeira independência financeira:

Eu não me preocupo mais com dinheiro - Você alguma vez já se permitiu não se preocupar com dinheiro? Você provavelmente deve pensar: "Se eu tivesse dinheiro, não precisaria me preocupar com isso ou com aquilo." Mas quer saber? Você não precisa se preocupar, de uma forma ou de outra! Você pode simplesmente optar por não ficar se preocupando com dinheiro. Você tem o suficiente para viver? Para ter uma boa qualidade de vida? Pra quê mais?  Veja bem: "preocupação" significa o seguinte: um mau uso da imaginação. É ficar imaginando coisas ruins antes delas acontecerem. Percebeu a morfologia da palavra? pré-ocupação. É o inverso de ressentimento (que é sentir o que já passou). Aquele que se preocupa, sofre antes de acontecer. O pior tipo de pessoa é aquele que se preocupa antes, sofre na hora, e se ressente depois. Você é essa pessoa? Se sim, você precisa se libertar, pois você vive o inferno aqui na terra. O inferno são os outros? O seu inferno nesse caso é você e seus pensamentos. Ficar imaginando situações que nem sequer aconteceram só nos deixa nervosos. Ficar preocupado se seu FII vai ter vacância, ou se sua ação vai cair ainda mais, isso é escravidão financeira, e não liberdade. Eu decidi não me incomodar mais com dinheiro, e não faço mais isso. Eu não me preocupo mais com dinheiro, e você deveria fazer o mesmo. Fiz uma severa realocação do meu portfolio, e todo tipo de investimento que eu tinha que me trazia ansiedade foi convertido para modalidades que só me trazem paz. Isso faz parte da liberdade.  O dinheiro serve para nos dar segurança e tranquilidade, e não ainda mais ansiedade. O juro do tesouro vai cair mais? Vai subir? A Caruanã vai quebrar? O Máxima vai quebrar? A Torre Almirante vai alugar? Vai ter revisional no NSLU? Como estão as taxas do intermedium? O grupo já tem 1 milhão? Aeroporto de Guarulhos tá quebrado? CEMIG vai ser privatizada? Passa carro na rodovia  Tietê? Revisional em SPTW? Olho no HB todos os dias? Gente... isso tudo é loucura. Liberdade e independência não é isso. A gente precisa realmente se libertar.

Eu conheço muitas pessoas com dinheiro, e algumas delas que enriqueceram depois. Posso dizer que nunca nenhuma delas veio e me disse: "Michelle... estou tão mais feliz agora que tenho dinheiro...". Isso simplesmente não acontece. Qualquer pessoa que acha que o dinheiro vai comprar felicidade, com certeza nunca teve dinheiro. Dinheiro não traz felicidade. Nem um pouco. Se você quer realmente atingir a independência financeira, precisa acreditar nisso, ou você corre o risco de passar uma vida de privações, e quando finalmente chegar lá, sofrer da síndrome do "Tá, e daí?". Isso não é liberdade. Nós podemos ser feliz independente de nosso status financeiro. Sua felicidade tem muito mais a ver com a qualidade dos seus relacionamentos, com o tipo de vida que você vive, a forma como você lida com seus problemas, é daí que vem a felicidade. Independência financeira não vem de uma conta gorda. Vem da forma de você encarar a vida. 

O dinheiro é um instrumento para seus objetivos, mas não pode ser o objetivo em si. Vejo muitas pessoas definirem uma meta sobre quanto dinheiro querem juntar para dizer que atingiram o seu objetivo. Pois eu digo: Se o objetivo for apenas o dinheiro, ele nunca será o suficiente. Veja: dinheiro não pode ser o "fim". Dinheiro tem que ser o "meio". Uma vez entrevistaram o multibilionário americano Rockfeller, que continuava investindo e empreendendo mesmo depois de já ter uma enorme fortuna; e perguntaram para ele "Quanto dinheiro é suficiente?". A resposta dele é curiosa: "-Só um pouquinho mais..."

Você acredita que sua independência financeira vai ser feita de dinheiro? Pois corre o risco de terminar como um certo blogueiro, que ao atingir sua independência fianceira, continua no mesmo emprego, e vivendo uma vida de pobre... infeliz, e suas maiores preocupações na vida continuam sendo as mesmas: Juntar mais dinheiro, e elminar os quilos extras da barriga. Quanto dinheiro seria suficiente para ele realmente ser feliz e se libertar? "Just a little bit more..."




 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Reforma na previdência: Como isso vai nos afetar?

Recebemos essa recente notícia do pacotaço do governo para reforma da previdência. Inicialmente, quero deixar bem clara minha orientação política: Sou conservadora, da direita tradicionalista. Apesar de não ter "batido panela" e nem ido a nenhuma manifestação do "fora Dilma", me considero até certo ponto uma coxinha recolhida. Só não me enquadro no conceito de "elite branca" porque para elite ainda falta bastante, mas definitivamente branca eu sou, e demais até. 

Sabemos que a previdência está passando por problema orçamentários, mas não se pode confundir "saneamento de problemas financeiros" com algo que beira o absurdo, que é o que o governo propôs. Pela proposta enviada pelo executivo à câmara, para se aposentar com o valor integral para o qual contribuiu, o trabalhador deve ter idade mínima de 65 anos, e 49 anos de contribuição. Acaba a aposentadoria por tempo de contribuição. 

Esse projeto só pode ter saído de uma cabeça doentia, sem a menor noção do que é um ser humano. Depois de ter trabalhado em um serviço pesado por 49 anos - como pedreiro ou saqueiro - como alguém pode ter a menor condições te trabalhar? Ao mesmo tempo, aposentar-se com valor inferior às suas contribuições é no mínimo injusto para quem contribuiu por 48 anos e tem 65 de idade. Eu não sou expert em economia pública, mas conheço uma injustiça quando vejo uma .

Se nossos deputados e senadores tiverem um mínimo de bom senso que seja, esse projeto não vai passar do jeito que está. Estabelecer uma idade mínima de 65 anos, com no mínimo  25 anos de contribuição, me parece razoável, mas essa coisa de ter que trabalhar 49 anos a fio ficou difícil de engolir. 

Hoje eu fui ao mercado, comprar algumas coisas para o natal. Havia um senhor empacotando as compras. Tinha cara de ser aposentado. Tive uma breve conversa com ele, que me contou a sua história: Aposentou-se aos 60 anos de idade, com cerca de 40 anos de contribuição. Hoje tem 64 anos, mas o valor de sua aposentadoria (salário mínimo) não é suficiente para pagar seus remédios. Como resultado, teve que voltar a procurar emprego para completar o orçamento. Ele me contou que ficou muito feliz porque o supermercado tem um programa de reinserção de idosos aposentados. Me falou também que alguns amigos seus gostariam de poder fazer o mesmo, mas simplesmente não tem saúde para tal.

Sabe o que me deixou abismada com essa história? Ele não tem nem sequer a idade mínima atual para se aposentar (65 anos), e nem o tempo de serviço para receber a aposentadoria integral (49 anos de serviço). Essa pessoa que hoje participa de um programa social de reinserção de aposentados no mercado de trabalho, segundo a "nova lei" da aposentadoria seria mais um trabalhando. A questão é... será que ele (ou os amigos dele sem saúde) conseguiriam todos um emprego, nessa idade? 

O pior: não podemos nem sequer mais nos programar para nossa aposentadoria: se hoje a lei mudou para 65 anos para mulheres, quem disse que quando eu tiver 65 anos já não vai ter mudado para 70? Como uma professora pode continuar dando aula para crianças aos 65 anos? As turmas de crianças menores exigem uma energia enorme, além de que muitas vezes temos que pegar as crianças (pesadas) no colo e fazer muitos trabalhos manuais. Consigo imaginar a cena patética: As crianças me chamando de "vó" em vez de "tia". Isso porque, aos 65 anos provavelmente vou ser mais velha que as vós deles. Vou ser a "vovó Michelle" em vez da "Tia Michell". Já pensou? Ridículo só de pensar. 

Um idoso não é só um jovem de cabelo branco, como o governo quer acreditar. Os idosos tem uma série de problemas de saúde, dor nas costas, catarata nos olhos, diabete, pressão alta, eles não enxergam bem... muita gente fica trabalhando "no limite" contando os dias para se aposentar, pois a saúde já não ajuda. 

Dessa vez o governo errou. Talvez ele só tenha "trucado alto" pra conseguir aprovar pelo menos uma parte das medidas... pode ser isso. Mas creio que acabou-se a vergonha na cara e o respeito aos idosos. 

A nós, o que resta? A idependência financeira, obviamente. Se mantiver o ritmo atual de aportes, creio que em menos de 15 anos estarei na IF... sem depender das migalhas governamentais... que são menores a cada dia.

Sorte de nós, que temos conhecimento sobre investimentos, e somos capazes de gerir nosso patrimônio de forma eficiente para se atingir uma aposentadoria - comprando cotas de FII e tesouro direto 2035. Já para o "cidadão comum", que depende dos fundos DI de bancos grandes (que pagam 90% do CDI com come-cotas), e CDB a 77% do CDI, ou mesmo planos de previdência privada com 3% de taxa de administração... vejo um futuro negro. 

Temer errou dessa vez. Pesou demais a mão sobre quem o ajudou a "eleger".  

Aguardemos o bom senso da câmara e do senado para barrar essa infamidade.  Resultado? Desgaste político à toda. A seguir cenas dos próximos capítulos...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O trabalho e o dinheiro na sociedade

O ser humano tradicionalmente é um animal classificador. Estamos o tempo todo classificando todas as pessoas, dividindo em grupos, em castas, em categorias, em raças, etc. A origem disso se deu lá nos tempos das cavernas, nos primórdios da origem da espécie. De novo estou eu aqui falando de psicologia evolucionista, que é um dos meus assuntos favoritos.

Fez-se necessário criar grupos para que pudéssemos separar os nossos amigos dos inimigos. Isso porque grupos iguais trabalham por um objetivo em comum, em prejuízo dos demais. Assim, ao sabermos quem tem os mesmos interesses que nós, podemos separar as pessoas em "prejudiciais" e "auxiliadoras". Esse conceito parece um pouco complicado quando falamos de seres humanos, mas vou dar alguns exemplos animais, para ficar mais fácil: Existe um grupo dos tigres, e um grupo das zebras. A zebra não tem interesse nenhum em ajudar o tigre, pois quanto mais o tigre obtiver ajuda, pior a vida ficará para as zebras - que serão comidas. Usando essa relação caça-caçador fica fácil entender esse conceito. Mas esse conceito se aplica também em grupos similares, que disputam o mesmo nicho ecológico, como por exemplo os tigres e leões.Quanto melhor estiver a vida dos tigres, mais eles comerão as zebras; de forma que não vai sobrar muita zebra para os leões comerem, dificultando sua vida. A relação agora é de competição. Essas relações de competitividade ou mesmo de caça-caçador existem em todos os organismos vivos, mesmo entre os fungos e bactérias. Não se esqueça de que a penicilina (um antibiótico que mata bactérias) foi criada a partir de um fungo, que produzia uma substância específica para elimitar a competição. Entre as plantas, podemos também perceber árvores como o Pinus, que produz uma resina que mata as plantas ao seu redor. Voltemos, agora, à espécie humana. 

Todos os desejos e necessidades materiais dos seres humanos acabaram se traduzindo em dinheiro. O dinheiro é a moeda universal de troca, e por esse motivo ele representa tudo que uma pessoa pode precisar ou desejar em termos materiais. O uso do dinheiro possibilitou padronizarmos os sistemas de trabalho; ou mesmo determinar o valor de cada coisa de uma forma mais prática e objetiva. Quanto vale lavar um carro? R$ 30. Quanto vale uma pizza? R$ 40. Quanto vale um dia de faxina? Quanto vale uma noite em um hotel? Todos os produtos e serviços existentes no mundo agora tem seu valor traduzido em dinheiro. Mas quais são as formas de se ganhar dinheiro?

O dinheiro em nossa sociedade não pode ser criado. Isso porque o ser humano apenas colocou sua própria ordem na natureza, mas nunca deixamos de ser animais. A dita "sociedade organizada" não é mais organizada do que a vida selvagem. Continuamos sendo animais vivendo na natureza. Há duzentos anos Lavoisier já dizia: "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.". O dinheiro também é parte da natureza, portanto ele não pode ser criado ou perdido. Ele apenas se transforma - no nosso caso concreto, ele apenas muda de mão, se concentra ou se dilui. Mas como podemos conseguir dinheiro? Ou seja... como podemos fazer o dinheiro mudar de mão em nossa direção? Vendendo nossos produtos ou serviços em troca de dinheiro. E a essa troca de produtos ou serviços por dinheiro, nós chamamos de trabalho.

Todos precisam trabalhar para ganhar nosso dinheiro (sustento). Eventualmente algumas pessoas podem não trabalhar, mas alguém sempre está trabalhando por elas. Assim, para cada ser vivente existe sempre alguém trabalhando. A relação do homem com o trabalho passou por mudanças conceituais ao longo da história, conforme variavam os modelos de trabalho. Existem quatro modelos básicos de relação homem-trabalho que foram utilizados ao longo da história. Não é possível dizer que um seja "certo" ou outro seja "errado", uma vez que eles se encaixavam na visão de sua época, no geitgeist do período. As mudanças de um sistema para outro tiveram mais a ver com condições políticas e comerciais do que com a bondade humana. Julgar valores de outra época com os conceitos morais de hoje seria um erro, chamado de anacronismo. Ao longo da história vimos diferentes sistemas de produção:

Idade antiga - Nobre - artesão - escravo:  Os escravos executam o trabalho pesado. Os artesãos são os profissionais liberais e prestadores de serviço livres. Os nobres não trabalham, tendo sua parcela de trabalho executada pelos escravos.  Os artesãos ocupam um papel secundário.
Idade média - Nobre - artesão - servo: Similar ao sistema escravagista, porém com a diferença de que o nobre é dono da terra, mas não das pessoas. Sendo dono da terra, o suserano cobra uma espécie de imposto sobre quem mora em suas terras, como em um sistema de comodato. No final da idade média surgiu uma nova categoria de trabalhadores: Os comerciantes. As navegações, expedições, e o desenvolvimento do comércio (revolução comercial) gerou uma grande quantidade de dinheiro. Essas pessoas que enriqueceram através do trabalho (comerciantes) já não tinham espaço nesse sistema. Foi a ascenção da burguesia. Fez-se necessário romper com o sistema antigo, para levar os burgueses para o poder. Deu-se a revolução francesa. Criou-se uma nova igreja (que valorizava o trabalho), a igreja protestante, com sua máxima: "Aquele que não trabalha também não deve comer". Tudo isso era um repúdio aos nobres (que não trabalhavam), e uma forma de se valorizar a nova classe social.
- Comunismo - No sistema comunista não existem escravos ou servos, mas todos trabalham pela comunidade, como em uma colônia de abelhas. O trabalho de todos é dividido em partes iguais entre os membros. Há uma bem pequena parcela de governantes (a chamada "esquerda caviar"), que vive em um mundo secreto de riqueza.
- Capitalismo - Aqui "quem pode mais chora menos". As pessoas trabalham em troca de dinheiro, e quem conseguir gerar mais dinheiro tem uma vida melhor, em detrimento daqueles que não conseguem. Existe muita desigualdade e injustiça social. 

(continua)3